Um prédio no Recife e os ecos de gritos da 2ª Guerra


Tá ali você cruzando a Av Guararapes com a Dantas Barreto e nem percebe que está sob as marquises do prédio que foi fundamental para a defesa e ofensiva brasileira na 2ª Guerra mundial, o Edifício Sulacap.


Ali, naquele prédio hoje quase fantasma, ficou sediada o comando da 4ª Frota Americana, que teve como premissa articular a melhor estratégia de lançamento de ataque a partir do Atlântico Sul. Este prédio, entre dois outros, foi doado pelo então governador interventor Agamenon Magalhães, aliás, todas as estruturas necessárias para o esforço de guerra foram fornecidas para os Aliados. Assim aconteceu com a área doada para o o Hospital da Força Aérea, a estrutura do Cassino do Pina doado para a transformação em Hospital Naval e toda uma área do da Zona Sul do Recife para construção de uma pista de pouso, que se chamou inicialmente de Ibura Field e que mais tarde se transformaria no Aeroporto dos Guararapes.


Contudo o que era feito nas salas inacessíveis e vigiadas daqueles corredores do Edfifício

SULACAP, pode ter ecoado por décadas e até hoje.


Foi numa das entrevistas feitas por nós que uma colaboradora nos relatou que a sua falecida mãe a fez um desabafo. Falou que trabalhou nos serviços de limpeza para os americanos na época, mesmo sem falar uma palavra em inglês (talvez fosse a exigência para a função). Relatou ela que um andar todo era interditado com forte vigília e paredes divisórias que só permitia chegar a primeira ala de vigilância, um cubículo que só cabia um birô e um guarda. Não foi uma nem duas vezes apenas que presenciara a chegada de feridos e outros homens sob escolta àquele local em calada de noite. E que já ouvira gritos de dor ao chegar no andar para a execução da limpeza.



O que achamos mais estranho foi saber que a funcionária relatou medo e agonia ao finalmente acessar o local quando da saída definitiva dos militares da cidade ao fim da guerra. Era um andar com salas de portas de trancas pesadas e uma delas totalmente acolchoada nas paredes, com o claro propósito de evitar que o interno se machucasse mesmo se quisesse. O ar era fétido e não havia janelas.



Nos intrigou o motivo de feridos serem levados para aquele local, já que havia um hospital de campanha no Pina e outro em Boa Viagem. Então, pela lógica, não deveria ser útil para aliados feridos, mas sim para inimigos capturados em em mar ou trazidos como prisioneiros do continente europeu ou africano. Como havia toque de recolher noturno em Recife, inclusive com apagão total para dificultar possíveis bombardeios inimigos, fácil seria esconder o que se fazia na calada da noite. Então, sim, deveria ser uma área para “interrogatórios” mais pesados, achamos.


Pelo menos até 1970, alguns andares eram tidos como assombrados. Quem lá trabalhou sabe disso. Gritos e vultos presenciados. Quem deve ter ficado ali? Quem não encontrou o caminho após o fim da sua vida terrena? Um dia descobriremos.


Curiosidade: Você já se perguntou porque todos os engraxates do Recife estão concentrados em um só lugar, justo ali embaixo das marquises do prédio?

Essa condição nasceu da oportunidade que o recifense achou em ganhar uns trocados engraxando os sapatos dos militares americanos e brasileiros com alto trânsito por ali. Então as banca foram passando de pais para filhos...




Fontes:

https://www.marinha.mil.br/

https://www.history.navy.mil/content/history/nhhc/search.html?q=recife&ts=false

http://www2.fab.mil.br/comar2/index.php/unidades-subordinadas/137-om

https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/11668/1/DISSERTA%C3%87%C3%83O%20Manoel%20Felipe%20Batista%20da%20Fonseca.pdf

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