O dia em que jornalistas, delegado e militares entraram em pânico com entidades sobrenaturais



O que é hoje a Av. Dantas Barreto, antes era uma confluência de ruas que foram destruídas para a construção dessa tão pouca importante via. Ali havia a rua das Trincheiras, Florentinas, Laranjeiras, Alecrim, Santa Teresa e Augusta. Centenas de sobrados foram demolidos e, junto com eles, a Igreja dos Martírios.



Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios - Acervo Diário de Pernambuco


Da Rua Augusta sobrou um dos seu lados. Todo o lado esquerdo da Dantas Barreto que começa na Rua Tobias Barreto e vai até a Praça Sérgio Loreto era dela. Todas as casas, sobrados e lojas. Aquela área, não sabe-se o motivo, possuiu intensa movimentação sobrenatural. Já publicamos os casos do Pátio do Terço, Beco do Marisco, Rua das Trincheiras e Agora um dos mais assombrosos casos. A Residência do Transtorno.Porém, talvez nenhuma tenha sido mais aterrorizadora do que a casa 219 da Rua Augusta.



A nova residência pertencia a senhora Josepha de Barros que morava com a sua “criadinha” (como chamavam as damas de companhia na época. Ela tinha sua casa como pensão para soldados do quartel do Exército próximo.


Nas primeiras semanas pareceu tudo normal, até que coisas começaram a aparecer quebradas em sua casa. Seguiu-se móveis batendo com violência nas paredes ou no chão. Achava ela, que era arroubos de raiva de sua criada de nome Luiza Soledade, mas logo viu que não era. As batidas e estouros de louças aumentavam a cada dia, e sempre que a menina de 15 para 16 anos se movimentava pela casa tomava mais vulto. Até que numa tarde, às 16h30 tudo na casa veio ao chão de vez. Correram então a pedir ajuda na vizinhança e chegou aos ouvidos do jornalista Francisco Codeceira do Jornal a Província.

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Os homens da vizinhança correram para pegar um possível meliante em flagrante naquela casa da Rua Augusta (hoje Dantas Barreto), mas eis que fogem-lhes as almas ao verem o que se seguia: cadeiras trepidando, louças voando, quadros despregando-se e até escarradeira rodopiando sobre uma mesa. Saídos a toda dali, resolveram convocar jornalistas investigativos para analisarem àquela sobrenaturalidade.

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No dia seguinte o Sr Codeceira passou em todas as redações dos jornais a convocar os investigativos. Assim formaram comissão os jornalistas Oscar Pereira, Dr Aprígio de Faria e Maviael do Prado. Além do delegado e oficiais. Entraram então no casarão, mas exceto os destroços do dia anterior, só viram um monte pratos ordenados em cima da mesa (quem o teria arrumado ali). Com nada acontecendo, chamaram então a menina Luiza.

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Eis que aí testemunhariam cenas de terror. Os pratos começaram a flutuar. Quando o sr Maviael deu dois passo em direção a cozinha, seu candieiro foi jogado ao chão ao que soltou um grito de terror. Os pratos flutuantes começaram a ser jogados aos seu pés. A Luiza no meio da confusão, desmaiou. E não havia ninguém que a pudesse levantar. Era como se houvesse uma força puxando-a para baixo. Foi preciso chamar mais seis soldados que estavam fora para conseguir carregar a menina desfalecida. Seres invisíveis a puxavam e a sacodiam de volta, só podia. Os soldados começavam a ser feridos com cacos de garrafas e das louças que voavam no ambiente. Alguns jornalistas tiveram roupas rasgadas e carnes cortadas com vidro. Foi a hora em que todos saíram deixando uma casa inteiramente destruída atrás de si.


Algo ali queria ou odiava aquela menina. Então foi a vez em que pediram a intervenção da Federação Espírita que iniciou estudos, vigílias e trabalhos que, ao que tudo indica, exorcizaram a casa.


Mas tudo na casa, que parecia ser um palco de guerra, estava perdido. Destruição total. Nada havia de inteiro. Dona Josepha era só desolação. Os cavalheiros comovidos iniciaram uma campanha para a renovação da vida daquela senhora e da sua vitimada Luíza. Assim foi feito com o bom grado daqueles que jamais esqueceriam daquele dia em suas vidas.



Trecho de uma das matérias dos jornais em 1916




Trecho da antiga Rua Augusta onde ficava a casa

Google Maps


Fontes: Jornal do Recife e Jornal a Província.


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