1918 - O Navio da Morte atraca em Recife

O mundo já estava assolado por grandes catástrofes: Fome, guerra… então um grande mal surgiu dos âmagos do terror: A peste.


Imagine você vivendo da década de 1910, em plena Guerra Mundial, a comida ficando escassa porque os navios não circulavam e ainda chega uma maldição que estava levando uma grande soma da população! A Gripe Espanhola era o nome do terror que apesar do nome, não originou-se na Espanha, mas sim, no EUA.



Apesar das autoridades já terem ciência da doença, pouco podiam fazer. A estrutura de saúde era precária e a vigilância sanitária era pífia. Então praticamente só assistiram a chegada de um navio repleto da doença que estava cruzando o Atlântico em direção ao Brasil. O navio inglês Demerara, o Navio da Morte, estava firme em seu propósito. Ele que em 1915 havia sido torpedeado por submarinos inimigos e não foi destruído, singrava os mares como um mensageiro da fatalidade. Então, aportou em Recife em 1918. A nuvem negra que trazia consigo rapidamente começou a tomar conta da população. Em dias, os recifenses começavam a espalhar aquilo e logo estavam caindo doentes para depois darem seus últimos suspiros.


Pra loucura geral, a imprensa mundial foi recomendada a não dar maiores coberturas durante a guerra. Só a imprensa espanhola que não participava dela cobria o assunto. Daí, todos atrelaram a Espanha, a origem da doença. As mortes foram pra Bahia, Rio, São Paulo. Era desolador. As pessoas morriam aos milhares e, ali, rapidinho.


Nelson Rodrigues descreveu a cena do que estava acontecendo assim: “Morrer na cama era um privilégio abusivo e aristocrático. O sujeito morria nos lugares mais impróprios, insuspeitados: - na varanda, na janela, na calçada, na esquina, no botequim. Muitos caíam, rente ao meio-fio, com a cara enfiada no ralo. E ficavam lá, estendidos, não como mortos, mas como bêbados. Ninguém os chorava, ninguém. Nem um vira-lata vinha lambê-los. Era como se o cadáver não tivesse nem mãe, nem pai, nem amigo, nem vizinho, nem ao menos inimigo(...) vinha o caminhão de limpeza pública, e ia recolhendo e empilhando os defuntos. Mas nem só os mortos eram assim apanhados no caminho. Muitos ainda viviam. Mas nem família, nem coveiros, ninguém tinha paciência. Ia alguém para o portão gritar para a carroça de lixo: 'Aqui tem um! Aqui tem um!'. E, então, a carroça, ou o caminhão, parava. O cadáver era atirado em cima dos outros. (...)Os coveiros acabavam de matar, a pau, a picareta, os agonizantes. Nada de túmulos exclusivos. Todo mundo era despejado em buracos, crateras hediondas. Por vezes, a vala era tão superficial que, de repente, um pé florescia na terra, ou emergia uma mão cheia de bichos".


Uns diziam que era o apocalipse por castigo dos pecados. Outros que se devia a 3 cometas

que passaram sobre a terra naquele tempo e que eram a Guerra, a Fome e a peste. O fato é que oficialmente 35 mil pessoas morreram por estas terras, contudo se o sistema de saúde era falho, os de contagem eram piores. Então estima-se que a senhora morte tenha levado o dobro ou mais nos seus braços.



No mundo famosos como Roosevelt, Francis kafka, Greta Garbo e Walt Disney pegaram a doença, mas sobreviveram. Aqui, o nosso presidente Rodrigues Alves não teve tanta sorte e sucumbiu a investida da peste.


Um século depois a doença voltaria, mas então encontrou a vacina que tornou os humanos impávidos diante dela. Hoje, vírus similares ao da Espanhola e muitos outros permanecem em circulação. O desenvolvimento de vacinas e a realização de campanhas de vacinação procuram manter patamares de imunidade da população para evitar outro surto daquela proporção.


Quanto ao navio, ele continuou sua jornada da morte até Buenos Aires. O último registro dele é de 1925 no porto de Liverpool. então, de repente... sumiu! Nada. Nenhuma notícia nem nota oficial sobre o barco. O engraçado é que por duas outras vezes um navio recebeu esse nome. O primeiro navio afundou em um mês de uso e o outro encalhou e foi a pique na primeira viagem em 1872.

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